Raabe-Stuppnig, especialista em proteção de dados, alerta para os pontos cegos estratégicos
Viena, setembro de 2025: Enquanto a Europa se prepara para a próxima vaga de regulamentação digital, os especialistas alertam para os riscos estratégicos. Numa entrevista com o Dr. Fabian Knirsch, especialista em proteção de dados e cofundador da sproof GmbH, Katharina Raabe-Stuppnig – advogada de renome na área da proteção de dados e companheira de longa data de Max Schrems no Tribunal de Justiça Europeu – analisa os riscos actuais e os novos desenvolvimentos regulamentares no espaço digital europeu.
GDPR como base: novas leis da UE no horizonte
O GDPR tem sido o padrão de ouro desde 2018. Mas agora vem a próxima onda de regulamentos: Lei da IA, NIS-2, Lei da Ciber-resiliência, Lei dos Dados. “Todas estas regras baseiam-se num sistema de proteção de dados funcional”, explica Raabe-Stuppnig. As empresas que não o tiverem ficarão para trás, tanto do ponto de vista jurídico como económico. Esta nova legislação está a tornar mais rigorosos os requisitos para as empresas – em todos os sectores. O desafio central é harmonizar os requisitos legais, a segurança técnica e a capacidade de inovar.
Transferência de dados para os EUA: a confiança não é uma estratégia
Apesar da decisão de adequação, a transferência de dados para os EUA continua a ser frágil. “O quadro baseia-se num decreto político – pode voltar a ser história amanhã”, adverte Raabe-Stuppnig. Já está pendente uma ação judicial contra o acordo. A autoridade de supervisão norte-americana PCLOB – responsável pelo controlo das medidas de vigilância do governo – não consegue atualmente funcionar corretamente: Vários cargos de direção estão vagos depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter demitido três dos cinco responsáveis. Como resultado, importantes mecanismos de proteção de dados em que se baseia o Quadro de Privacidade de Dados estão de facto bloqueados.
Encriptação: a pretensão e a realidade divergem
Particularmente complicado: Mesmo com os servidores localizados na UE, o acesso das autoridades dos EUA não pode ser excluído – por exemplo, através das empresas-mãe. As autoridades europeias exigem soluções de gestão de chaves externas que garantam o controlo da encriptação. “Este tipo de encriptação normalmente só funciona para dados de backup”, explica Raabe-Stuppnig. “A tecnologia necessária é muitas vezes inexistente para os sistemas operacionais.”
Alternativas europeias: O Data Act como um farol de esperança
Uma decisão recente do Tribunal Penal Internacional mostra como essas alternativas são urgentemente necessárias: a Microsoft recusou-se a entregar e-mails em processos internacionais – com base na legislação dos EUA. Para muitos, este é um sinal de alerta: sem independência digital, existe não só uma ameaça de riscos de conformidade, mas também restrições à jurisdição democrática e à capacidade de ação do Estado.
Apesar destas incertezas, Raabe-Stuppnig está otimista quanto ao futuro. Considera a Lei de Dados da UE como uma alavanca fundamental para uma maior soberania digital. A Lei Europeia dos Dados é uma alavanca fundamental para uma maior soberania digital. “Precisamos de alternativas europeias – e precisamos delas agora”, diz ela. “Com um apoio específico, podemos criar uma verdadeira concorrência para os hiperescaladores dos EUA.”
A boa notícia é que alguns países da UE já estão a tomar medidas. A Dinamarca, por exemplo, está atualmente a abandonar gradualmente as soluções de computação em nuvem dos EUA a favor de soluções seguras de fonte aberta da UE.
Conclusão: A proteção de dados como elemento estratégico
O debate demonstra-o: A proteção de dados já não é apenas uma questão de conformidade, mas um elemento estratégico da competitividade digital. As empresas que protegem os seus processos de dados de uma forma estruturada e virada para o futuro não só reforçam o seu quadro jurídico, como também a sua posição no mercado.
Sugestão de podcast:
A discussão completa com Katharina Raabe-Stuppnig está disponível no podcast da sproof: https: //open.spotify.com/show/4KuGms2KGAXBTbiPo1taUx
O debate com Katharina Raabe-Stuppnig oferece uma visão valiosa sobre a interface entre o direito, a tecnologia e a política – com o objetivo de fornecer orientação no espaço digital europeu.
Sobre Katharina Raabe-Stuppnig
Katharina Raabe-Stuppnig é uma advogada com mais de 15 anos de experiência em proteção de dados, meios de comunicação social e direito informático. É co-fundadora de um conselho consultivo em matéria de proteção de dados, está envolvida em processos emblemáticos perante o Tribunal de Justiça Europeu – juntamente com Max Schrems, entre outros – e aconselha empresas de forma estratégica na implementação da legislação digital europeia. O seu escritório de advogados em Viena é um dos pontos de contacto mais procurados para a proteção de dados orientada para a prática ao mais alto nível jurídico.



